No dia dos namorados eu abri uma garrafa magnum (1,5 litros) de Achaval Ferrer da safra 2000. Esse vinho não tinha um nome, mas sim mostrava no rótulo as variedades Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot. Esse foi o precursor do hoje famoso Quimera.
A noite prometia muito com uma garrafa de vinho do novo mundo, com 9 anos de idade, e eu confesso que estava bastante empolgado. Tirei a garrafa da adega com cuidado, a deixei de pé por 1 hora para concentrar o sedimento no fundo, preparei as taças e o decanter Spiegelau e fui abrir a garrafa com meu saca-rolhas Laguiole. Como você pode ver, eu estava MESMO preparado para a grande noite.
Cortei a cápsula cuidadosamente e já fiquei preocupado. A parte superior da rolha estava manchada de vinho, com algumas gotas ressacadas, sinal de vazamento e possível oxidação. Comecei a introduzir o saca-rolhas e percebi que a rolha estava dura, seca. Ao puxar, a rolha se despedaçou ao meio, para meu horror! Recorri ao saca-rolhas de lâmina (duas lâminas que entram entre a rolha a garrafa) para tentar salvar minha noite. Consegui retirar o restante da rolha, mas alguns pedaços caíram no vinho. Parti para a decantação utilizando um funil com filtro para segurar os pedaços de rolha. Pronto para a degustação.

Servi as duas taças e a cor rubi levemente alaranjada me reanimou um pouco. Ao nariz mostrava potência de aromas e uma certa complexidade; vale lembrar que a garrafa magnum evolui um pouco mais devagar do que a garrafa de 750 ml. Mostrava, ainda ao nariz, aquelas notas de vinhos mais maduros, porém muito discretamente, além de um toque de oxidação. Os aromas de carvalho também estavam bem intensos. Minhas considerações finais são de que o vinho merecia mais tempo de garrafa, pois ao paladar mostrava taninos vivos e deixava um calor proporcionado pelo álcool.
Se essa garrafa tivesse sido fechada com screwcap certamente eu não teria passado por essa péssima experiência. Deixo aqui esse tema para um possível discussão via comentários!! O que vocês acham disso!?
Abraços, GT.